Entre juras e promessas

Entre juras e promessas

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A humanidade vive uma longa relação com os juramentos e as promessas. Desde a antiguidade corremos atrás de algo prometido sempre jurando e também prometendo, mas nem sempre cumprindo.

Nosso vocabulário está repleto de “prometo que mudarei, prometo que serei bonzinho daqui em diante, juro que caso, serei fiel para sempre, prometo que farei, comigo vai ser diferente”. Somos uma raça criativa e eternamente em busca de novas maneiras de dizer que nos comprometemos a fazer o improvável.

Desde os tempos bíblicos, apenas para citar um exemplo, o povo de Israel anda a perseguir a terra prometida. Desistiram de esperar que a profecia se realize e resolveram retomar, por conta própria e na marra, a tal da terra de Israel. O problema só complicou um pouco, pois há muitos Palestinos que moram lá e matar milhares de homens, mulheres e crianças, na época das cruzadas, era barbada, mas hoje em dia pega mal.

Nas bandas de cá, agora que estamos nos aproximando das eleições, voltamos às promessas eleitorais.

 Candidatos prometem viadutos, estradas, túneis, pontes e qualquer coisa que convença aos incautos eleitores de que se forem os escolhidos atenderão aos anseios da população.

Nas relações amorosas, normalmente é o homem que promete que vai mudar que seu amor será eterno e sua fidelidade será absoluta.

Parece que os homens têm mais habilidade para prometer e jurar do que as mulheres. Na relação de candidatos a deputado do estado do Rio Grande do Sul, percebemos que a ampla maioria são homens. Isso pode não ser apenas uma questão de machismo em nosso estado, mas pode indicar também que os homens têm melhor aptidão para prometer e jurar do que as mulheres. Afinal, são milênios de experiência. É claro que toda regra sempre tem lá suas exceções e já existem algumas mulheres bem avançadas nessa arte de prometer. Mesmo assim, é raro encontrar uma mulher chegar em casa de madrugada e jurar para o marido que estava no escritório botando o serviço em dia ou então ajoelhada ante um pretendente jurar casamento e amor eterno. Enquanto isso, é provável que lá nos primórdios da humanidade o homem das cavernas já treinava nas promessas, quando prometia à companheira não caçar mais na caverna da vizinha.

Mas, a bem da verdade, quando chegamos ao ponto de ter que prometer que tomaremos determinada atitude, muitas vezes para nós mesmos, é porque já passamos da hora de fazer o que estamos dizendo. A promessa é uma forma que encontramos de nos desculpar e adiar o que não conseguimos ou não queremos realizar.

Mas enfim, as crianças da Palestina, esses perigosos terroristas de cinco anos de idade, continuarão sendo mortos nas creches da Faixa de Gaza, nossos políticos continuarão prometendo e nós continuaremos nos dizendo que, mesmo sem fazer nada, um dia tudo será diferente.

 

Publicado no jornal Nova Folha em 01 de agosto de 2014