Falso ou verdadeiro

Falso ou verdadeiro

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Se existe uma coisa que já faz parte da vida humana é a falsidade. Para qualquer ponto que olharmos sempre encontraremos algo falso ou adulterado.

Já nem falo dos clássicos falsos como o Wiskey ou os perfumes do Paraguai. Nem do olhar fraternal e do sorriso ensaiado dos políticos candidatos.

A falsidade está tão profundamente incrustada em nossa vida que, na maioria das vezes, nem a percebemos. A bem da verdade, podemos facilmente constatar que praticamente tudo ao nosso redor pode ser inautêntico.

Quando abrimos a caixa de um produto no supermercado descobrimos que nem de longe ele tem algo a ver com a linda foto que ilustra a embalagem. No futebol, li não sei onde que um sósia do Neymar teria ficado engessado enquanto o verdadeiro que nem estaria machucado, dava umas bandas por aí com algumas garotas. Vejam a que ponto chegamos. Aí, no caso, ou a notícia é falsa, ou o sujeito. Talvez o time todo do Brasil na Copa tenha sido falso. Vai ver que os comunistas tenham trocado os verdadeiros por sósias, mas no final das contas perna de pau por perna de pau, deu tudo na mesma.

No meio dessa falsidade toda nem ouso falar de loiras ou ruivas falsas. Elas já são tão naturais que uma morena de cabelos vermelhos já é uma legítima ruiva de nascença. Portanto não é falsa.

Vejamos algo mais inerente ao nosso dia a dia como o leite, por exemplo. O Sr. ou a senhora dona de casa acreditam que, realmente, aquele líquido branco que vem dentro de caixinhas ou saquinhos no supermercado seja leite? Uma boa maneira de saber se algo é falso ou verdadeiro é fazer contas. Gosto de fazer contas. Vejamos: um sujeito paga uma nota preta por uma vaca, que precisa ser alimentada, cuidada e vacinada, ordenhada diariamente. Aí ele vende o seu produto para uma cooperativa que vai pasteurizar o leite, embalar, resfriar e transportar até o supermercado que vai vender aquele produto por dois reais. Só pode ser falso. Até uma lata de refrigerante, que é basicamente açúcar e água, custa mais do que isso.

Vejamos outra coisa. O sujeito vai para a escola e faz o ensino fundamental, termina o médio aprovado e se candidata a uma vaga de emprego, sem saber quanto é dez porcento de algum valor, uma simples regra de três, nem que se inicia uma frase com letra maiúscula. Não sei vocês, mas eu diria que a escola que esse sujeito frequentou é mais falsa que uma nota de trinta.

Mas a falsidade para dar certo precisa ser acompanhada de uma grande dose de faz de conta. Nisso somos especialistas. Um faz de conta que é verdadeiro e o outro faz de conta que acredita. E assim, viveremos felizes e contentes para toda a eternidade.

 

Publicado no jornal Nova Folha em 03 de agosto de 2014