Mais, Mais Poetas

Mais, Mais Poetas

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Mais, mais poetas

 

Tenho um pedido para o Sr. Papai Noel. Sei que estou meio crescido para isso, mas não custa tentar. Vai que, apiedado por tamanha insensatez, vossa senhoria, aqui por nós conhecido também como bom velhinho ou seja lá qual divindade que tenha a incumbência de atender pedidos insanos, resolva atender-me.

Pois, humildemente com esta missiva peço-vos poetas. Não, não são seus óculos, leste certo estimado benfeitor. Rogo por poetas e com sua devida licença e amável paciência, explico meu peditório. Desconfio que o mundo esteja tão repleto de mazelas, bagunças, escaramuças, desavenças e até guerras, devido à descomunal escassez de poetas.

Contam que Goethe, no ocaso de sua vida, ainda clamou, “Licht, Mehr Licht” (luz, mais luz). Acredito que mais poetas poderão transformar em realidade o pedido do grande poeta e escritor alemão. A poesia tem o poder de aquecer nossos corações e iluminar nosso pensamento com arte e sabedoria.

A falta de poesia impregna nosso mundo de ameaças, impropérios, xingamentos, ofensas e impiedade. Isso sem citar o despropósito de corrupção e trapaças. Não que, vez por outra, não nos irrompa uma grande vontade de também dizer algumas verdades, mas, poetas, se fossemos, as diríamos com rima para abrandar as agruras, métrica para amornar as fervuras, enfim, versos para adoçar azedumes.

Não trago dúvidas de que em um mundo feito de poetas, muito melhor de se viver seria. Fico a imaginá-los por todos os lados, nas ruas, nas farmácias, nos supermercados, anunciando seus produtos com sabia maestria. Ambulantes anunciando em cantigas, Pipoqueiros estourando em poemas, Vendedores de picolés recitando refrescantes inspirações. Até multa de trânsito receberíamos em versos ritmados que nos deixariam menos patetas.

Ah! Mestres, sábios poetas, ensinariam nossas crianças as delícias da rima, as delicadezas da alma para exprimir sentimentos sem ofensas, mas se necessário, como navalhas precisas aprenderiam a cortar sem ferir. Mais poetas surgiriam assim nas escolas e partiriam para a vida feito menestréis, trovadores e cantores. Médicos poetas receitariam versos e as enfermidades se tornariam menos tristes. Juízes poetas, julgariam com a rima necessária para uma justa igualdade.

Por isso, estimado Papai Noel, peço-vos este inusitado presente. Sei que poetas não caem do céu, nem brotam feito maná, mas onde estiverem saberão harmonizar, embelezar e por que não, lapidar, este nosso mundo tão tosco, estranho e bruto.

Sábio, Dilan Camargo, já propõe chamá-los em casos de graves ameaças.

“Se algum mal nos afeta,

se tem criança analfabeta,

se o corrupto se locupleta,

Chamem o poeta!”

“Se for pouco um poeta

chamem um enxame de poetas.

Não importa que mais chamem

do que amem e declamem o poeta.

Chamem o poeta!

Chamem o poeta!”

 

 

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