O Filho do Filho e o Pai do Pai

O Filho do Filho e o Pai do Pai

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Muitos homens, alguns pais, outros não, deixaram sua marca na história. Pensadores, filósofos, cientistas contribuíram, com estudos e dedicação, para que o mundo seja do jeito que ele é. Grandes políticos e líderes também deixaram suas marcas. Mas ter seu nome lembrado por gerações futuras não é coisa para amadores. Requer que o sujeito faça algo realmente notável, inusitado, importante. Algo que contribua para mudar, aperfeiçoar ou até, como já aconteceu várias vezes, piorar nossa estada neste planeta. Sim. Os vilões também deixam suas marcas. O mundo não seria o que é hoje, sem Hitler, Napoleão ou tantos outros que mesmo de forma negativa modificaram conjunturas, mexeram em relações estabelecidas e deixaram lições importantes para a humanidade.

Antigos teóricos da comunicação diziam que no futuro todo mundo teria seus quinze minutos de fama. Pois bem. O futuro chegou e a história não é bem assim. A população do planeta já passa dos sete bilhões de habitantes, sete mil milhões, diriam os portugueses. Se todo mundo resolvesse ficar famoso no grito, teríamos uma gritaria que seria ouvida três léguas depois da galáxia de Andrômeda. Para quem não sabe onde fica, posso adiantar que é longe. Bem pra lá de Bagé.

Mas, amigo pai, não se desespere. Todos nós ainda temos uma chance de entrar para os anais da história. Se nossos filhos fizerem melhor do que nós, ou muito pior, poderemos ter um lugarzinho na história como pai deles. Pablo Neruda era filho de um ferroviário que muito se orgulhava do filho poeta. Claro que depende de como nos comportamos como pais que nossos filhos seguirão um caminho ou outro. Certamente o jurista Carlos Napoleão tinha muito orgulho de seu filho. Já a obra do escritor Franz Kafka é repleta de relatos de brutalidade física, psicológica e conflitos com o pai. Histórias boas nem sempre acabam bem e outras que tinham tudo para virar  trágicas podem se tornar extraordinárias. Nunca se sabe.

Antes de mais nada, a paternidade requer paciência e vontade de aprender. Não ensinamos nossos filhos a ser filhos, aprendemos a ser pais.

Além dos humanos, muitos animais também formam famílias. Neste domingo, em que comemoramos o dia dos pais, bem que poderíamos realizar um exercício simples e trocar de lugar. Cada filho assumiria o papel do pai e este o do filho. Ver e sentir-no no lugar do outro ainda é uma das qualidades que nos diferencia dos animais. Saber-se compreendido e entender que estamos todos juntos num mesmo barco à deriva, neste mar revolto que navegamos ultimamente, será, sem dúvida, um presente para todos.