Quando eu crescer

Quando eu crescer

person

A vida da gente e muito engraçada. Quando jovens, temos uma pressa danada para crescer. Não vemos a hora de ser livres, donos do próprio nariz e poder sair pelo mundo afora. A liberdade se torna um mantra perseguido em tempo integral. Parece que nunca vai chegar o dia de termos barba, automóvel próprio, direito de ir e voltar quando bem entendermos, essas coisas.

O tempo passa, a vida segue e daqui a pouco a gente casa, vem os filhos e com eles muda tudo. De uma hora para outra, o que antes era namoro, festas, cineminha, se transforma em fraldas, mamadeiras, roupinhas e um mundaréu de novidades que não faziam parte da nossa doce vidinha sem filhos. O mundo vira de cabeça para baixo e temos que aprender, na marra, a segurar as pontas e não deixar a peteca cair.

Claro que morremos de paixão pelos miúdos. Acabam nos dotando do senso que a vida não tinha. Se alguém pensa que a vida não tem nexo, basta olhar para os filhos com a devida profundidade que tudo fara sentido.

Mas a vida segue. Apesar de toda a correria com as crianças para creche, escola, pediatras e se tornar assíduo frequentador de circos, matines e parquinhos de diversão, chega o dia que vão embora. Sim. Eles crescem e vão embora. A gente chora, tem saudade, mas aguenta porque sabe que a vida e assim. O rio corre sempre no mesmo sentido. E nada muda a ordem natural das coisas.

Sem perceber, a liberdade que sonhávamos lá no início da nossa vida, volta a se descortinar a nossa frente. Estamos maduros, aprendemos muito, temos meia idade e uma vida inteira pela frente. E o que fazemos? Adotamos um cachorro. Um não! Dois. E aproveitamos o embalo para incluir também dois gatos, pois são todos muito fofinhos, peludinhos e amáveis. Eles nos divertem, dão cambalhotas, ronronam e entram na nossa vida de forma definitiva e implacável.

O que era nossa rotina com os filhos só muda de endereço e passamos a viver em função de vacinas, rações pra isso e aquilo, pet shops e veterinários. Sem falar em shampoos, brinquedinhos, colchonetes e um mundo de novidades. Se ainda fosse como no tempo em que os bichos se contentavam com os restos da nossa comida, ainda vá lá. Inventaram tantas coisas que ate arrisco a dizer que bicharada já esta dando tanto trabalho quanto davam os filhos. E eles entram em nossa vida pra ficar. Não se formam, não casam, nem vão embora e a nossa sonhada liberdade, mais uma vez, fica pra quando der.

Quando eu crescer não quero ter cachorro.