Jornal impresso não vai acabar

Jornal impresso não vai acabar

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Recebi, no último final de semana, a última edição impressa do jornal Correio Riograndense, um dos mais antigos e importantes jornais gaúchos que, depois de 108 anos, passa a ter somente edição digital. Esse foi um jornal que marcou a minha infância, pois lembro do meu pai, mesmo longe da cidade, no interior do Estado, receber esse jornal e lia atentamente as notícias, fazendo dele, embora com poucos anos de sala de aula, um excelente conhecedor da geografia do país.
Acredito que, apesar das redes sociais e facilidades da divulgação das notícias pela internet, na força e da importância do jornal impresso, principalmente nas pequenas cidades, onde os jornais cumprem um papel fundamental no registro da história das comunidades.
Talvez hoje não tenhamos condições de dimensionar ou muitas pessoas que faziam jornais há mais de 100 anos, quando o jornal era basicamente texto, de como foi importante a existência de um veículo de comunicação.
Guaíba, por exemplo, grande parte da história da cidade foi e está sendo contada pelos jornais. Quem apoia o jornalismo impresso está, de certa forma, contribuindo na preservação da memória, na melhoria da comunicação e reflexão sobre os rumos do município. O jornalismo está se adequando à nova realidade e o jornais impressos também buscam seu espaço no meio da força da internet.
A jornalista e escritora Conceição de Freitas diz que “O jornal de papel não vai acabar, porque ele é matéria palpável da vida”. Conforme ela, “a virtualidade, elevada à máxima potência, vai nos fazer dar de cara com o vazio. Aí, amigos, vamos querer recuperar a materialidade do mundo real, com o que de belo e cruento há nele”.

Nova Folha Guaibense, 24 de fevereiro de 2017