Mais jardins e menos cimento

Mais jardins e menos cimento

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Com o calor excessivos das últimas semanas, como é bom termos uma sobra para nos abrigar. O cimento toma conta das cidades e parece que a temperatura aumenta com o sol batendo no asfalto. Hoje é mais prático, ao invés de flores ou árvores, colocar cimento no pátio ou nas ruas da cidade. Não há necessidade de cortar grama ou incomodar-se no futuro pelo fato de ter plantado uma árvore e agora não poder cortá-la ou até mesmo podá-la.

Algumas leis, criadas com objetivo de preservar a natureza, acabam inibindo o homem a plantar árvores e a ter mais verde ao redor de suas casas. Quando era criança, todos os anos na época do pinhão, nossos pais nos obrigavam a pegar sacolas de sementes e sair pelo campo para plantá-las. Como era bom poder, após alguns anos, encontrar diversas árvores que resistiram as formigas e crescerem no meio das pedras e de outras árvores.

Hoje, voltando para a região da serra, não se vê ninguém plantando esta árvore, pelo contrário, opta-se por árvores cuja legislação é mais flexível no momento do corte.

Na área urbana, vive-se o mesmo dilema. Deixar uma árvore nascer ou plantar é complexo.

Representa uma vida toda tendo que dar explicações para podas ou na necessidade de corte. Mesmo diante de tudo isso, prefiro correr o risco de incomodar-me. Planto, onde posso, árvores e flores. Acabei plantando duas araucárias, vindas da serra, no meu jardim. Sei que um dia posso ter problemas. Não importa. Como é bom ver que aquela flor ou árvore plantada serve de sobra ou refúgio para pássaros, borboletas ou insetos. Ao escutar o cantar de um pássaro, de uma cigarra ou ao ver o voo de uma borboleta, sinto como se fosse uma forma deles dizerem um muito obrigado por deixar o verde crescer no meio a tanto cimento e prédios de uma cidade. Já disse o filósofo Francis Bacon, que "Deus Todo-Poderoso foi quem primeiro plantou um jardim. Na verdade, plantar jardins é o mais puro dos prazeres humanos, isto é, aquele que constitui maior repouso para o espírito do homem. Sem jardins, edifícios e palácios não passam de construções grosseiras".