Quem paga a dor?

Quem paga a dor?

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Existem tragédias que deixam marcas pelo resto da vida. A morte natural até que aceitamos, mas a abreviação da vida através de acidentes, afogamentos, desastres naturais, é difícil superar. Vivenciei isso com a perda de um irmão há duas décadas, na BR 116, no trevo de acesso à Cohab.
Os culpados pela morte saíram ilesos. A justiça humana não condenou o responsável pelo acidente.
Tragédias deixam marcas profundas para familiares e amigos. É uma dor que não há tempo que possa curar. Levantamento feito pela Nova Folha Guaibense mostra o grande número de mortes no trecho entre Guaíba e Eldorado do Sul.
Nos últimos sete anos foram 33 mortes e mais de 800 acidentes. Um dos mais trágicos, na virada do ano passado, tirou a vida de quatro pessoas de uma mesma família. Fatalidade? Destino? Acredito que não.
O ser humano cria condições para que coisas boas ou ruins ocorram durante nossa existência. Tantos carros nas ruas, estradas ruins e motoristas despreparados acabam provocando mortes no Brasil que fazem lembrar as piores guerras. Todos os anos, são mais de 40 mil vítimas no trânsito no Brasil, isso representa dez vezes mais o número de pessoas que morreram nas torres gêmeas nos EUA.
O Brasil é o quinto país do mundo em mortes pelo trânsito e o número não para de subir. Um problema que também atinge a economia do país com gastos para o tratamento das vítimas de acidentes.
Em Guaíba, felizmente diversas ações vêm sendo tomadas, como a duplicação da BR 116.
Por que deixar que as tragédias ocorram, ano após ano, para depois tomar as medidas? Essas obras poderiam ter sido realizadas há mais tempo, talvez muitas mortes tivessem sido evitadas.
Um bom exemplo foi a construção do viaduto no acesso a Guaíba. Desde a inauguração da obra, em 2009, o número de acidentes no trevo foi praticamente zero.