Reformas na educação

Reformas na educação

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Lendo matérias da Nova Folha Guaibense de 20 anos atrás, encontrei uma reportagem sobre a lei 9.394 que estabeleceu que a partir de 1997, os estudantes passariam a frequentar 200 dias letivos, contra os 180 dias anteriores.
Ingressei no Magistério em 1995 e posso confessar que o simples aumento de dias letivos não resolveu o problema da educação. Agora o Governo Federal, numa ampla divulgação na mídia, quer aumentar a carga horária no ensino médio, passando de 800 para 1.400 horas anuais, criando escolas de tempo integral de nível médio e colocando em segundo plano disciplinas como artes, filosofia e até mesmo educação física.
Ocupar o aluno, que tem entre 15 e 18 anos, dentro de uma escola durante o dia todo, não me parece a melhor opção para melhorar o ensino médio. Muitos estudantes, nesta fase da vida, já buscam algum estágio para conseguir alguma experiência profissional e ajudar a renda da família. Acredito que o governo deveria investir mais no ensino fundamental, com diversas opções de aulas no turno inverso e opções de aulas de música, dança, informática, entre outras, reforçando com recursos aos projetos Mais Educação e Mais Cultura nas escolas. Aqui no Estado tentou-se, mas com pouca adesão, o Ensino Médio Integrado que inclui disciplinas do Médio e prepara para o mundo do trabalho. Uma boa experiência vem sendo no Instituto Gomes Jardim.
No ano passado, alunos conseguiram boas notas no Enem e ingressaram na concorrida UFRGS. Mudar o ensino médio é uma necessidade urgente, pois ele não prepara para o mundo do trabalho, para a vida e muito pouco para o ingresso na universidade. Melhorias vão muito além de aumento de dias letivos ou horas/aula, mas de qualidade que passa pela melhor valorização do professor, com salários mais atrativos. Passaram-se 20 anos que o governo aumentou dias letivos, melhorou?
Cada governo que chega surge com novas ideias, mas poucas tem sólidas bases filosóficas e com isso não duram muito tempo e quem perde é a família e o estudante que quer um ensino de qualidade, que motive a criatividade, a inovação. A escola não pode ser um espaço apenas de reproduzir conhecimentos, mas de produção de novas ideias. Espero, daqui a 20 anos, não estar debatendo mudanças feitas de forma errada em 2017 e sim festejando os acertos tomados nos rumos do ensino no Brasil.