A noite do quebra-quebra

A noite do quebra-quebra

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Uma das minhas funções aqui, como cronista do que acontece e do que não acontece, é procurar muitas vezes o enlace dos fatos sucedidos com as lições que o mundo dá, tantas vezes esquecidas e atiradas para o fundo dos palcos da História. E ali ficam, perdidas, até que um fato novo às faça renascer. Em muitas oportunidades, inutilmente. Trapos que são de coisas que a Humanidade viveu e nada aprendeu.

Se eu pudesse pintava num muro bem grande: “Cuidado com isso ou aquilo!”

Assim sendo, o dia 18 de agosto é uma data que deve ser respeitada e lembrada sempre como algo fora do comum. É a “Noite (ou dia, não importa!) do Quebra-Quebra!”

Aconteceu bem aqui, em nosso nariz, e o Rio Grande que tem tantos Galvani, Sartori, Heissmann, Schmitz, Regner ou algo assim, naquele dia levantou-se para destruir o patrimônio alheio, agredir e derrubar o que pudesse que trouxesse um sobrenome italiano ou alemão.

Estávamos em plena II Guerra Mundial e os bens dos que tivessem tal característica de batismo, fossem particulares ou de firmas, como Bromberg, Englert, Piantoni ou Nielssen foram destruídos e seus proprietários atingidos nas propriedades ou no renome. A população das grandes cidades saiu às ruas e, especialmente de Porto Alegre, quebrou o que achou pela frente, inclusive Guaspari ou Renner.

Depois o Estado e as prefeituras ficaram pagando as indenizações... E as pessoas, aos poucos, retomaram seus negócios. Mas o dia 18 de agosto de 1942 ficou assim marcado pela ignorância e a falta de ação das autoridades.

Era um dia como hoje. Como outro qualquer. Queríamos derrotar aqui, as forças do Eixo Roma-Berlim...