A popularização da gilhotina

A popularização da gilhotina

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Este dia 28 de julho é sem paralelo na História: é que um invento germânico da Idade Media foi adotado na Franca e num dia como este, que assinalava um cálido verão parisiense, em 1794, foram levados a guilhotina, Robespierre e outros 19 revolucionários, numa demonstração pratica da eficiência da máquina que, com seu nome traduzido e incorporado à língua local, alcançou repercussão mundial.

Eis uma forma radical de cortar cabeças e extinguir reações, adotada num país que era o símbolo da cultura e da aventura humana e, portanto, acabou sendo copiada pelo mundo afora.

Robespierre não foi o primeiro a ser levado à decapitação pela máquina aperfeiçoada pelos franceses e por um tal de Dr. Guillotin, mas, sem dúvida em 1794 era o político mais famoso a ser silenciado por este método capital.

Festejamos anualmente, junto com os franceses o dia 14 de julho, e sonhamos com “liberte, egalite e fraternite”, mas aguardamos pela concretização das “esperanças e promessas do ano novo”, como me escreve meu editor, mas nem pensamos nesse 28 de julho, em que tantas cabeças rolaram.

E nem temos tempo para reparar que a guerra de 14, a chamada “Grande Guerra” (por falta de uma maior até então...) começou a 28 de julho ou a morte de um cidadão brasileiro apelidado “Lampião, o Rei do Cangaço” em 1938, neste mesmo dia.

Mas, a guilhotina permaneceu definitivamente incorporada ao nosso léxico, significando um corte brutal nas aspirações e pensamentos ou sonhos de mudança, progresso e liberdade, seja lá que for.

Todo o dia nascem e morrem cidadãos ilustres que vão servir de farol e guia para o resto da Humanidade, como Cyrano de Bergerac ou o compositor Vivaldi ou Johan Sebastian Bach, mas nada é tão próximo, efetivo e prático... como a Guilhotina.

Que lição!

A quanto pode chegar a alma humana em sua crueldade e desfaçatez, em sua marcha determinada para os fins políticos.

E não é o que se vê, diariamente exposto nos noticiários de rádio e teve?

E assim, vamos levando.

Com o pensamento voltado para fins imediatos ou resultados práticos, deparando com o noticiário quase irreal, mas verdadeiro, da relação das atrocidades que os humanos são capazes de cometer com seus parceiros.

Aos poucos, estas monstruosidades vão sendo de tal forma vulgarizadas que passamos por cima deste tipo de noticiário e sequer franzimos o cenho, diante do registro delas.

E como a guilhotina. Qualquer dia desses, uma nação qualquer resolve retomar o sistema que fez da decapitação uma arte, aperfeiçoando o tempo de agonia e fazendo rolar para uma cesta, a cabeça dos que discordavam de quem tinha o poder em mãos.

Assim fica difícil sonhar com os ideais de 1789.