Nossa propriedade, saudade

Nossa propriedade, saudade

person

Tomem nota da data: 30 de janeiro, esta segunda-feira. É o Dia da Saudade, e, embora não haja nenhuma programação especial, nem aqui no Brasil, nem em Portugal, saibam todos que essa referência virem, que é o “Dia da Saudade”.
Não, nada de coroa de flores, nem cemitérios, é em seu sentido amplo e isso quer dizer muito amor e dor. A certeza de uma ausência, que poderia e deveria ser presença.
Mas, é, sobretudo, a palavra que só existe na língua portuguesa. Não adianta procurar, alguns dizem que existe algo parecido em tcheco ou polonês, em polonês seria algo como “tesknota”, será mesmo?- mas disso nunca tive prova provada.
É língua portuguesa, e pronto. Sim, os habitantes de Portugal e do Brasil, e das antigas colônias portuguesas não tem dificuldades em compreendê-la e usá-la e até provérbios nos garantem que quando não sabemos bem o valor de certas coisas, precisamos perdê-las para ver “o quanto dói uma saudade”. Tudo isso é verdade e esse nosso querido vocábulo hoje percorre o mundo, e quando os falantes de outras línguas, como o inglês, por exemplo, querem citá-la ou o sentimento que ela identifica, tem que colocá-la entre aspas e lembrar que em suas manifestações nacionais ou regionais, ela não existe. Sim, na Galícia. Os galegos. Meio lusitanos pelo menos pela vizinhança.
O mais que podem fazer é usá-la e dizer assim, meio constrangidos, “como dizem os brasileiros, isso é saudade!”
Temos aqui saudades das coisas boas e das ruins. Dos bons governos, dos bons tempos, dos bons jogadores de futebol, de algumas namoradas (os) do passado, dos pais que já morreram, de algum filho ou neto, de alguém que perdemos, dos momentos inesquecíveis que passamos em Paris ou Buenos Aires, quem sabe no Rio ou na Bahia, dos carnavais passados ou de quando éramos jovens.
Pois é, mas de tanto necessitarmos de expressar sentimentos e pensamentos como esse, acabamos por escolher uma data e estabelecer que ela é agora o Dia da Saudade.
Isso vale para as pequenas e para as grandes cidades, para os ricos e para os remediados, para os pobres e para os milionários. Para os velhos e para os jovens, mas para todos mesmo. Para os padres e para as dançarinas, para os jogadores de futebol e para os escritores.
E se você duvida, me escreva, que vou lhe mostrar em meia dúzia de linhas, o quanto dói uma saudade.
Olhe para um amanhecer ou para um crepúsculo, para um rio ou para o mar, para uma foto ou escute uma música. Releia um antigo livro ou vá à missa de domingo. 
Não tem onde, nem como escapar. Então aproveite este dia 30 de janeiro, segunda-feira, é o Dia da Saudade.