VIVENDO E APRENDENDO

VIVENDO E APRENDENDO

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Quando a gente escreve uma crônica, faz antes o que eu costumo denominar, o “vôo da gaivota”. Ou seja, fica lá em cima, fazendo voltas e voltas em busca do assunto até que mergulha e pega o tema no bico... Bem, isso é o que faz a gaivota com seu “almoço”. E o cronista com o seu. Às vezes fica complicado, porque a gente gira, gira e não enxerga de jeito nenhum o “peixe” e assim vai passando o tempo, até que o Guima Beinecke telefona e diz: “Como é, seu Galvani? E a crônica?” Bem, aí é preciso desová-la porque chegou a hora e o jornal não vai ficar esperando...

É assim com todos, o que muito nos honra, porque todos os editores fizeram isso com o Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues ou, Luis Fernando Verissimo ou o Mario Quintana ou qualquer pequeninho do setor...

Não tem santo, nem deus. É o horário, e pronto. A página do jornal ou revista tem que ir para a impressão, e não pode ficar esperando, indefinidamente. Então, o jeito, é correr “atrás da máquina”.

Se o dia da impressão da “Nova Folha Guaibense” é, por exemplo, 22 de setembro,dá pelo menos, se os buracos das ruas da cidade não o puxarem mais uma vez para o abismo da eternidade que os mantém insepultos por desídia ou incapacidade administrativa, pescar na História para lembrar que, nesse dia, em 1811, chegou a primeira tipografia ao Brasil, vinda de Lisboa com a corte de Dom João VI, o que propiciou logo a impressão de livros e a edição do primeiro jornal. É uma data para festejar. Manda a verdade histórica que se faça justiça dizendo que nas Missões jesuíticas, portanto nos anos setecentos, já havia impressão. Mas, a chegada da corte portuguesa com todo o seu aparato e grana, deu para a gente ficar agora a relembrar e comemorar, afinal de contas era a consolidação da língua portuguesa entre nós, hoje quase todos falamos e escrevemos em português, não é mesmo? (Eu disse “quase todos”, não se assustem...)

Pois então, já que continua faltando luz e vergonha na cara aqui no Brasil e o preço da comida continua subindo descaradamente, enquanto os salários derrapam e a situação vai a passo de tartaruga na beira do mar, para onde, aliás, foram quase todos e agora passam a maior parte dos fins de semana dentro dos seus automóveis, enfileirados nas estradas, ou correndo pelo acostamento das rodovias, como se fossem criminosos (e são...) fugindo da Polícia, então, o jeito é descobrir alguma coisa digna para assinalar.

Viram como é dura a vida do cronista? Já se disse tudo sobre tudo, faltou dizer algumas verdades, mas o jeito é tocar para a frente. Então, para que o Guima não me venha puxar as orelhas e dizer (“poxa, outra vez este assunto?”) fujo dele, (do assunto, não do Guima) e encaminho tranquilamente a minha confissão semanal, aproveitando para citar Fernando Pessoa (“tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”...) e assim me safo da obrigação e do sarrafo...