>Cantor Belchior viveu cinco meses na Serrinha

Cantor Belchior viveu cinco meses na Serrinha

Música

Na localidade da Serrinha, entre os municípios de Guaíba e Barra do Ribeiro, um dos pontos mais altos da região, o cantor e filósofo Belchior viveu cinco meses no sítio do advogado Jorge Cabral. A amizade entre os dois foi registrada no livro “Belchior, a história que a biografia não vai contar”.
O livro narra a passagem do cantor cearense em seu sítio no ano de 2013. O cantor confidenciou ao advogado que a imagem da Serrinha era uma das mais belas que ele tinha visto e que gostaria de poder comprar um pedaço de terra lá e serem vizinhos. O músico morreu três anos depois, ou seja, no dia 29 de abril do ano passado em Santa Cruz do Sul/RS, aos 70 anos de idade.

O encontro
O advogado Jorge Cabral hospedou o cantor BeO advogado Jorge Cabral hospedou o cantor Belchior e a esposa depois de se conheceram no verão de 2013, no balneário de Atlântida Sul. O advogado ofereceu o sítio da família para passar alguns dias em Guaíba, mas acabou ficando cinco meses, mas poderia ter permanecido mais tempo, se dependesse dele. Chegando ao sítio, no final de março daquele ano, Belchior encontrou a paz que procurava, um lugar calmo e no meio da natureza. Ele não mostrava interesse em sair da Serrinha, “achava o local ideal para se viver, na natureza e no isolamento”, disse o advogado.
Belchior e sua esposa passavam a semana sozinhos no sítio, pois o advogado morava e trabalhava em Porto Alegre e ia visitá-los somente nos finais de semana. Os vizinhos mais próximos eram agricultores que cultivavam bata doce e residiam a dois km. Sabiam do ilustre morador e cuidavam dele durante a semana. “Os reencontros se davam nas sextas-feiras, quando retornávamos ao sítio. Éramos recebidos de forma efusiva e gentil por Belchior, como se fôssemos nós os visitantes em nossa própria casa, o que nos deixava felizes por ele se sentir feliz no ambiente”, escreve Cabral.
A despedida
Toda linda história tem um fim. Notícias de assaltos em sítios na região e temendo a segurança do cantor, o advogado convenceu o casal a deixar a Serrinha. Ambos foram levados para a sede da União Brasileira de Compositores em Porto Alegre. A despedida não foi fácil para o advogado Cabral e sua família. “Ajudei-o a colocar as malas no carro, ele me chamou e disse: “Geralmente é o fã que pede para tirar uma fotografia com o artista. Hoje vai ser diferente, tira uma fotografia comigo”, lembra ele no seu livro. “Era a Serrinha, reconhecida pelo privilégio de tê-lo hospedado e que, naquele momento, se despedia em movimento, ajudada pelo vento, balançando os galhos que acenavam, na sua partida”, comentou o escritor no caminho de volta com o cantor.
No livro, chama a atenção o fato de o escritor não citar o nome da esposa do cantor, considerada responsável por seu isolamento. Além de Guaíba e Porto Alegre, o casal perambulou por Santa Vitória do Palmar, São Lourenço do Sul, Xangri-Lá, e na praia de Atlântida Sul, Cachoeirinha, Jaguarão, Quaraí, Sobradinho e, por fim, Santa Cruz do Sul.
Novos lançamentos e projetos
O advogado Cabral cumpre extensa agenda de lançamento do livro pelo Nordeste em fevereiro e pretende fazer em Guaíba, uma sessão de autógrafos e uma roda de violão com músicas do cantor. O advogado pensa também em fazer uma caminhada nas trilhas de Belchior na Serrinha e mostrar ao grupo de fãs, o quarto onde ele viveu. ”Belchior não foi só cantor, foi poeta, filósofo, artista plástico e um grande homem”, disse Cabral.

O livro pode ser encontrado em Guaíba, na Livraria Entrelinhas, na rua Dr Lauro Azambuja, 155, Centro, Fone 34806016

Pesquisadora da obra de Belchior pretende morar em Guaíba

A pesquisadora da área de Letras e Música Popular, Josy Teixeira, uma estudiosa de Belchior, planeja morar em Guaíba. Conterrânea do cantor, Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Linguística e Graduada em Letras e Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Ceará/UFC, jornalista e radialista com passagem pela Rádio Universitária de Fortaleza, e apresentadora concursada da TVE/FM Cultura de Porto Alegre.
Em 2016, desenvolveu um projeto para celebrar os 70 anos de vida de Belchior, através da análise dos 11 discos autorais do compositor até o último álbum com músicas inéditas (Bahiuno, de 1993).
Josy era amiga do ídolo e revela que ele era uma pessoa maravilhosa, um cavalheiro à flor da pele, educado, gentil.  Mais detalhes e curiosidades na edição impressa do jornal